Webwriting: linguagem, escrita e desenvolvimento

Este artigo é um trecho da minha monografia sobre Webwriting, que começa abordando o início da escrita até os tempos atuais. Ainda estou longe de finalizar, mas vale a pena postar o que já está ficando pronto. Em breve, postarei mais partes da minha monografia, que será útil para quem é apaixonado por escrever.

Linguagem - livroO início: Linguagem, Sistema, Signos e Código

Tudo tem um início, e não foi diferente com o surgimento da comunicação humana e a criação da linguagem. Bem antes dos livros começarem a fazer parte das estantes e os jornais circularem pelas cidades, a comunicação já existia, seja através de pinturas ou da fala, pois é uma necessidade natural dos seres vivos. E o que diferencia a comunicação do ser humano com a dos animas é o uso dos signos em contraste ao uso de sinais.

De acordo com Evanildo Bechara, em Moderna Gramática Portuguesa (2009):
A linguagem é qualquer sistema de signos simbólicos utilizados na intercomunicação social. O sistema é o conjunto de unidades, concretas ou abstratas, reais ou imaginárias, organizadas para certas finalidades. E o signo é a unidade, concreta ou abstrata, real ou imaginária que leva ao conhecimento de algo diferente dele mesmo. (BECHARA, EVANILDO, p.28)

Ou seja, a linguagem é composta por um sistemas de signos, sendo que estes para serem compreendidos e utilizados precisam estar dentro de um código. Resumindo toda esta “sopa de letrinhas”, temos o seguinte:

Linguagem:

Engloba os sistemas simbólicos utilizados na comunicação. Tanto a comunicação humana como a animal se igualam neste aspecto, pois os sinais utilizados pelos animas geram uma comunicação entre eles, fazendo parte de um sistema simbólico.

Sistema:

O sistema é composto por signos ou sinais, sendo que os signos tem como finalidade a substituição, já os sinais não possui esta ideia em si, o que diferencia a comunicação humana da comunicação animal.

Signos:

São unidades que servem para substituir. Por exemplo, já é convencional que a palavra “cadeira” faz alusão ao objeto que serve para as pessoas sentarem. Ou seja, a palavra substitui o objeto, pois ao ler ou ouvir a mesma, já se tem em mente a imagem deste objeto.

Código:

Entende-se como o conjunto dos signos, mais as regras de uso destes. Por exemplo: dicionário.

A partir desta explicação inicial, pressupõe-se que para existir os textos que se leem em livros, jornais, revistas, e-book, pdf’s, entre outros, foi preciso que cada civilização criasse seu próprio código de comunicação, seja para representá-lo de forma oral em discursos ou na forma escrita no papel.

Discurso – a humanidade antes da escrita

Antes de existir a escrita e as formas de conservação dos textos, as comunidades comunicavam-se através do discurso. Ou seja, toda a comunicação era feita de forma oral, com um orador pronunciando palavras para os ouvintes.

Há dois grandes problemas na comunicação oral: não se pode guardar o conhecimento disseminado, pois ele termina ao se extinguir o discurso, e para ser um orador é preciso ter habilidades específicas para tal como, por exemplo, saber se expressar facilmente e se fazer entendido pelos ouvintes.

E dentro deste segundo aspecto, Michel Foucalt explica muito bem quais são as limitações, em seu livro “A Ordem do Discurso”. Segundo ele, existem três grupos de repressão do discurso. O primeiro se divide em: interdição, segregação da loucura e vontade de verdade.

A interdição pode ser explicada, de forma simples, da seguinte maneira: há tabus, ou seja, existem assuntos que não podem ser ditos por qualquer um, nem para qualquer pessoa ou, até mesmo, nem serem citados. Dois grandes tabus na sociedade é a política e a sexualidade. Tanto a interdição quanto a segregação da loucura se orientam em direção à vontade da verdade. Um discurso que não é compreendido pela sociedade ou que vai contra os parâmetros é excluído, ou seja, marginalizado, assim se chega à segregação da loucura. Não é de interesse da sociedade ouvir o discurso dos loucos, pois não contém a verdade conhecida e legitimada. Um discurso só tem validade se está sob o caráter da verdade. Mas como saber o que é verdade ou mentira? Quem tem o poder da verdade? Os discursos são produzidos e modelados por sistemas de regras, vigentes na sociedade e em cada âmbito do saber, o que lhes permite ter o poder de ser verdadeiro.

O segundo grupo de limitação do discurso é realizado internamente e se divide em: comentário, autor e disciplina.

O comentário limitava o acaso do discurso pelo jogo de uma identidade que teria a forma da repetição e do mesmo. O princípio do autor limita esse mesmo acaso pelo jogo de uma identidade que tem a forma da individualidade e do eu.
(FOUCALT. MICHAEL. pág. 29).

Já a disciplina exerce sua repressão ao impor regras e limites. Para fazer parte de uma disciplina é necessário seguir parâmetros teóricos e ser validado no âmbito da verdade.

O terceiro grupo determina a forma como o indivíduo fará seu discurso. Este grupo se divide em: ritual, “sociedade de discurso”, doutrina e apropriação social do discurso.

O ritual trata exatamente das características que são necessárias ao indivíduo que fala. As “sociedades de discurso” produzem e difundem seus discursos para si de acordo com suas próprias regras. O discurso fica limitado para poucos. Já a doutrina é feita para ser difundida para um grande número de pessoas. É necessário que se entenda o discurso como verdadeiro e que haja aceitação, por parte dos ouvintes, das regras impostas que podem ser flexíveis.

“Todo sistema de educação é uma maneira política de manter ou de modificar a apropriação dos discursos, com os saberes e os poderes que eles trazem consigo” (FOUCALT, MICHAEL. pág. 44).

Agora que já foi fornecida uma breve explicação sobre linguagem, signos e código, e que já foi abordado a comunicação oral através das especificidades do discurso, de acordo com Michael Foucalt, está na hora de falar sobre o texto escrito, o impresso. Mas só no próximo post. Até lá!